Aqui vc encontrará, trabalhos realizados por diversas pessoas. A maioria desses trabalhos será de alunos da Rede Pública. Que por motivo de segurança não será divulgado o nome.
Hoje é a produção científica de um aluno de 5º série que será disponibilizada. O mesmo construiu um bússolo caseira e levou para a professora de geografia ( Maria Elza) e fez o maior sucesso entre os colegas.
Glossário:
Bússola.Caixa com abertura circular, na qual se move uma agulha magnética, colocada horizontalmente na extremidade superior de uma haste vertical, para indicar o rumo e a orientação.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
domingo, 17 de outubro de 2010
Professora Poeta: Deixar participar e assim realizar
Minha escola é contraditória,
Às vezes, mostra-se de qualidade.
Com resultados que a tornam notória,
Outras vezes parece fora da realidade.
Se sente a melhor da região,
Menospreza aquelas que iguais a ela são.
Pois estão situadas na mesma região,
E carecem da mesma atenção.
Todo dia nos cobram compromisso e fidelidade,
Esquecendo que também somos humanos de verdade.
Tantas vezes pedimos piedade,
Mas nunca nos ouvem de verdade.
Na hora de decidir os rumos a serem buscados,
Quase nunca somos consultados.
Mesmo que sempre presentes e prontos para alcançar os resultados,
Na hora do sucesso só alguns poucos são lembrados.
Às vezes nos sentimos desanimados,
Outras vezes desrespeitados.
Pedimos maior espaço pra nossa participação,
Confiança no grupo que é a mola-mestra da ação.
Já mostramos sermos capazes,
De construir aqui na nossa escola.
Uma educação de qualidade,
Pois temos um corpo docente de beldades.
Agindo com amor e responsabilidade,
A essa profissão que exercemos com fidelidade
Atingiremos em conjunto nossa aspiração
Que é de buscar com plena liberdade
O sucesso de todos que aqui estão.
“Não concordo com o que dizes, mas defendo até a morte o direito de o dizeres” (Voltaire).
Josélia Anizia da Silva
Professora da E. E. Jardim Iguatemi – Leste 3
Às vezes, mostra-se de qualidade.
Com resultados que a tornam notória,
Outras vezes parece fora da realidade.
Se sente a melhor da região,
Menospreza aquelas que iguais a ela são.
Pois estão situadas na mesma região,
E carecem da mesma atenção.
Todo dia nos cobram compromisso e fidelidade,
Esquecendo que também somos humanos de verdade.
Tantas vezes pedimos piedade,
Mas nunca nos ouvem de verdade.
Na hora de decidir os rumos a serem buscados,
Quase nunca somos consultados.
Mesmo que sempre presentes e prontos para alcançar os resultados,
Na hora do sucesso só alguns poucos são lembrados.
Às vezes nos sentimos desanimados,
Outras vezes desrespeitados.
Pedimos maior espaço pra nossa participação,
Confiança no grupo que é a mola-mestra da ação.
Já mostramos sermos capazes,
De construir aqui na nossa escola.
Uma educação de qualidade,
Pois temos um corpo docente de beldades.
Agindo com amor e responsabilidade,
A essa profissão que exercemos com fidelidade
Atingiremos em conjunto nossa aspiração
Que é de buscar com plena liberdade
O sucesso de todos que aqui estão.
“Não concordo com o que dizes, mas defendo até a morte o direito de o dizeres” (Voltaire).
Josélia Anizia da Silva
Professora da E. E. Jardim Iguatemi – Leste 3
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
5ª Feira das profissões- USP
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Sonhos que comecei a realizar
Grazila é aluna do terceiro ano do Ensino Médio da Rede Pública de São Paulo. Como tantos alunos fez recentemente vestibular para ingressar em uma das escolas técnicas da região onde mora. O resultado tão esperado aconteceu.Foi aprovada no curso de Administração.
Depoimento:
"Meu nome é Graziela me sinto muito feliz, pois tive a oportunidade de prestar o vestibular para ETEC e passei em Administração. A aprovação foi muito importante para mim e meus familiares. Em especial para minha mãe que ficou muito feliz e orgulhosa ao mesmo tempo.
Tenho certeza que farei outras conquistas por mim e por todos que me apoiam.
Deixo um conselho para todos " nunca desistam de seus sonhos, pois obstáculos existem, mas não são impossíveis de serem ultrapassados" ( Grazi,agosto de 2010)
Depoimento:
"Meu nome é Graziela me sinto muito feliz, pois tive a oportunidade de prestar o vestibular para ETEC e passei em Administração. A aprovação foi muito importante para mim e meus familiares. Em especial para minha mãe que ficou muito feliz e orgulhosa ao mesmo tempo.
Tenho certeza que farei outras conquistas por mim e por todos que me apoiam.
Deixo um conselho para todos " nunca desistam de seus sonhos, pois obstáculos existem, mas não são impossíveis de serem ultrapassados" ( Grazi,agosto de 2010)
sábado, 31 de julho de 2010
Resenha Artesão de Sonhos
COSTA, Marcos Pereira. Artesão de Sonhos. Edição independente. São Paulo. 2010.
Marcos Costa é idealizador da Casa de Cultura Projeto Gente, Músico e graduado em Serviço Social pela Universidade Católica de São Paulo realiza neste ano de 2010 o grande sonho de publicar seu livro Artesão de Sonhos. O lançamento do livro em dez de julho de 2010 reuniu amigos, familiares e admirados do trabalho desse paulistano da Zona Leste.
A leitura é um convite à reflexão, marcado por verbetes, os capítulos do livro são ao mesmo tempo uma auto biografia e história do Centro Cultural Projeto Gente.
Artesão é a pessoa que faz os seus próprios produtos e os comercializa, que executa com habilidade a arte de produzir a partir do bruto uma jóia rara por exemplo. Nas cento e cinqüenta e oito páginas do livro do Músico e escritor Marcos Pereira Costa essa habilidade da produção parece que fluirá a cada parágrafo lido. Sabendo de sua trajetória de vida, constante em uma das passagens de sua obra, o depoimento sucinta sonhos, remete a ancestralidade, entre outros sentimentos “Eu tinha quase tudo para dar errado na vida, mas uma coisa não deixou o final ser triste: tive amigos, desenvolvi a capacidade de sonhar e sorrir da vida. Quando ela me oferecia um lenço para chorar” (17:2010). Nos leitores esse depoimento e outros certamente despertarão desejos de realização que ao longo do tempo foram sendo deixados de lado devido às adversidades da vida simples de quem como ele também mora em regiões de carências tantas e principalmente carência cultural.
A leitura é contagiante a ao mesmo tempo desprendida, pensado como uma alternativa a grande produção editorial o próprio designer da obra já é um convite à reflexão. Todo produzido a partir de material reciclável e com referências significativas como Paulo Freire e Karl Marx não deixa nada a desejar as grandes produções.
Maria Elza Araujo (Historiadora)
Marcos Costa é idealizador da Casa de Cultura Projeto Gente, Músico e graduado em Serviço Social pela Universidade Católica de São Paulo realiza neste ano de 2010 o grande sonho de publicar seu livro Artesão de Sonhos. O lançamento do livro em dez de julho de 2010 reuniu amigos, familiares e admirados do trabalho desse paulistano da Zona Leste.
A leitura é um convite à reflexão, marcado por verbetes, os capítulos do livro são ao mesmo tempo uma auto biografia e história do Centro Cultural Projeto Gente.
Artesão é a pessoa que faz os seus próprios produtos e os comercializa, que executa com habilidade a arte de produzir a partir do bruto uma jóia rara por exemplo. Nas cento e cinqüenta e oito páginas do livro do Músico e escritor Marcos Pereira Costa essa habilidade da produção parece que fluirá a cada parágrafo lido. Sabendo de sua trajetória de vida, constante em uma das passagens de sua obra, o depoimento sucinta sonhos, remete a ancestralidade, entre outros sentimentos “Eu tinha quase tudo para dar errado na vida, mas uma coisa não deixou o final ser triste: tive amigos, desenvolvi a capacidade de sonhar e sorrir da vida. Quando ela me oferecia um lenço para chorar” (17:2010). Nos leitores esse depoimento e outros certamente despertarão desejos de realização que ao longo do tempo foram sendo deixados de lado devido às adversidades da vida simples de quem como ele também mora em regiões de carências tantas e principalmente carência cultural.
A leitura é contagiante a ao mesmo tempo desprendida, pensado como uma alternativa a grande produção editorial o próprio designer da obra já é um convite à reflexão. Todo produzido a partir de material reciclável e com referências significativas como Paulo Freire e Karl Marx não deixa nada a desejar as grandes produções.
Maria Elza Araujo (Historiadora)
domingo, 11 de abril de 2010
Triângulo de quatro cantos
O Triângulo Paulista, corresponde ao que conhecemos hoje como o núcleo das ruas Direita, São Bento e XV de Novembro. Esta região central nas últimas décadas do século XIX já contava com problemas de moradia, processo decorrente do crescimento populacional advindo da expansão cafeeira. Quatro Cantos era como se designava o encontro das quatro esquinas do Triângulo.
Estes novos produtores, para suplantar sua pouca mão-de-obra importam, mão-de-obra dos mais diferentes países que desembarcam no Porto de Santos e são encaminhados às fazendas do interior paulista. Muitos não se adaptaram à vida do campo e procuraram a área urbana para se estabelecer.
A capital da Província se torna palco de um intenso comércio de produtos industrializados que aportavam principalmente no Porto de Santos e chegam até o Triângulo Paulista para satisfazer os gostos dos novos ricos. A cultura cafeeira da Província de São Paulo, em meados do século XIX, dará a seus proprietários poder econômico que será à base de penetração destes abastados ao convívio urbano central da capital da Província.
Devido a implantação das estradas de ferro que encurtaram as distâncias entre a região rural e urbana estes fazendeiros construíram suas mansões na área urbana e puderam administrar suas propriedades e desfrutar do conforto de uma vida social (reuniões, saraus, etc). Somado aos que já aqui viviam, resultou num inchaço populacional. Os recursos acumulados desta parcela da população serão empregados na região em serviços públicos, com parceria de empresários estrangeiros.
A sede da burguesia brasileira por equiparar-se à sociedade vista como modelo de civilização (Paris em especial), fez com que circulassem produtos industrializados dos mais variados e vindos de diferentes países. E é a região central que se transformara para esta nova lógica de organização comercial. Os armazéns existentes, onde as mercadorias são estocadas sem critérios e estilo, não têm mais tantos apreciadores.
Aos poucos, aquele velho panorama de armazéns de secos e molhados, lojas de panos de algodão e hospedarias rústicas, vão dando lugar a um comércio de artigos de luxo. A lógica é organizar, mostrar, expor. O público precisa ser seduzido pelas vitrines e aos poucos as ruas vão assumindo outra forma: não são mais os animais que trafegam pelas ruas do centro, embora a infra-estrutura dos meios de transporte seja pouca para dispensar-los totalmente, mas os códigos de éticas e posturas os colocam em seus devidos lugares. A burguesia que elegeu as ruas centrais como espaço designados para o seu desfrute vive a ilusão de ser europeu num país tropical. Mesmo considerando o clima ameno daqueles tempos em relação à atualidade, havia condutas como as roupas pesadas da moda francesa que não condizia com o clima paulistano.
Desde a década de 1850, quando se inicia a penetração da cultura cafeeira pelo interior da Província de São Paulo, a Capital paulista passa a registrar um crescimento econômico e populacional até então nunca observado. É a partir desse poder econômico que as famílias abastadas constroem suas mansões e passam a freqüentar ambientes novos criados à moda parisiense e a consumir produtos industrializados em grande quantidade vindos principalmente da Inglaterra. Para numa tentativa de se aproximar da “civilidade” e da modernidade dos padrões e valores culturais europeus.
Esta posição que São Paulo se encontra de uma espécie de entreposto comercial faz a articulação entre o interior, o litoral e os mercados europeus.
Outro fator que coloca em destaque a capital da Província é a grande quantidade de imigrantes que suplantavam a carência da mão-de-obra nas lavouras e circulam pelas suas ruas graças ao incentivo a imigração.
Parte desses imigrantes se instalou na área central e abriram comércios que importavam produtos para atender os mais variados gostos. Com esta grande quantidade de nacionalidades, associadas à circulação de produtos diversos, novos idiomas sendo falados juntamente com o local, a cidade ganha à alcunha de cidade cosmopolita. O próprio nome dos comércios que geralmente carregavam o sobrenome estrangeiro do proprietário ou ainda nomes com sua descendência davam um aspecto de estar em outra localidade, nomes como a Casa Garraux (livraria, papelaria e loja de artigos variados de origem francesa), a Casa Levy (de partituras e instrumentos musicais), Casa Alemã, loja do Japão, Casa Michel, importadoras como Grand Bazar Parisien, etc.
As atividades comerciais serão em grande número exercidas por uma parcela desses estrangeiros. Saindo um pouco desse triângulo as lojas que atendiam a um público menos favorecido ou comercializavam produtos nacionais em geral usavam nomes locais como é o caso das Casas Pernambucanas fundada pelo suíço Arthur Lundgren em 1908 que continua existindo atualmente.
Estes europeus tinham um fator importante a seu favor: com a ideologia de prestigio de sua cultura o caminho já estava aberto para o consumo dos mais variados produtos.
O fato de os caminhos ferroviários de penetração no interior da Província convergirem todos para o porto de Santos, com passagem obrigatória pela cidade de São Paulo, a manteria na posição que a muito tempo lhe pertencera, de uma espécie de entreposto comercial, anterior representado pelo comércio de tropeiros que não desapareceu brutamente.
Juntamente com o crescimento urbano e a reurbanização, veio a especulação imobiliária que afastou de vez os “não desejados” do núcleo central. Os cidadãos desejavam ser europeus e isso foi tão fortemente arraigado no imaginário, que a ascendência européia é ressaltada até os dias atuais, enquanto a nativa é deixada em segundo plano.
Inspirados nas capitais européias como Paris, os prefeitos Antonio Prado (1899 a 1911) e Raymundo Duprat ( 1911a1914) promoveram mudanças significativas no meio urbano paulista, remodelando ruas e criando espaços livres. Plano urbanístico reconhecido como sendo de alto custo social apontado pela historiadora Heloisa Barbuy em A Cidade -Exposição Comércio e cosmopolitismo em São Paulo, 1860-1914.
A cidade se desfazia do casario colonial e das ruas estreitas, substituídas por praças, parques, avenidas largas e edifícios públicos suntuosos. As habitações de taipa se transformaram, tanto no aspecto físico, como na sua ocupação. Em pouco tempo as residências que antes abrigavam no seu pavimento inferior, armazéns próximos da arquitetura portuguesa, começam a ganhar características haussmanianas, pois tal prática não mais corresponde aos anseios de uma sociedade burguesa com olhos para cultura parisiense, resultado nos sucessivos loteamentos das inúmeras chácaras que circundavam a região central, ampliando o núcleo original e estabelecendo na cidade novas maneiras de morar.
Aos poucos vai se observando a crescente introdução de uma estética cosmopolita, tanto na arquitetura dos comércios como no comportamento das pessoas resultado de políticas como e a criação dos códigos de postura. Em São Paulo, circulam não só mercadorias estrangeiras, mas também modelos urbanísticos e valores sociais calcados no sistema de expansão industrial e capitalista europeu.
A dinâmica de transformações arquitetônicas e comerciais ocorridas no final do século XIX e primeira década do XX foram muito intensas, parecidas com a que hoje encontramos nestas ruas e edifícios no que se refere a exibição de produtos, no arranjo das vitrines (externas e internas), nas exposições especiais do interior das lojas e na publicidade comercial. Claro que hoje o apelo comercial é muito maior. Deve ser ressaltado o quanto era intenso o movimento nas ruas do centro, hoje chamado de antigo. O espaço em questão passa por uma nova transição já que as atividades comerciais já buscaram outras localizações mais favoráveis ao seu crescimento.
Os planos de reurbanização com características haussmannianas destruiu quarteirões inteiros para construir largas avenidas e praças com a justificativa de higienização e intenção de ver-se inserida na lógica capitalista.
Toda essa transformação de hábitos e crescimento econômico da região está atrelado a dois fatores principais o advento do café e a presença dos imigrantes. Porém não se deve deixar de lado uma reflexão a respeito da massiva presença estrangeira em todo o Brasil no período observado. Este grande número de estrangeiros está relacionado à situação dos países dominantes em face de seu excesso de mão-de-obra. Não fosse a necessidade de “acomodar” seu excedente obreiro não haveria empenho desses de retirar seus nacionais.
Muitos comércios desse período continuam existindo, alguns ampliaram seu leque de produtos outros mudaram de endereço, mas na maioria dos casos mantiveram os nomes e ressaltam a data de fundação como forma de seduzir seus clientes estabelecendo um elo entre credibilidade e nostalgia.
Bons exemplos destas permanências são:
A chapelaria Paulista na Quintino Bocaiúva, por exemplo, mantêm a mobília e as vitrines do inicio de sua fundação e na entrada da loja um tapete com a data de fundação da mesma. A padaria Santa Tereza atualmente na Praça João Mendes mantêm uma galeria de fotos de São Paulo Antigo no interior do recinto e algum mobiliário da época como uma chapelaria.
Maria Elza Araújo
Estes novos produtores, para suplantar sua pouca mão-de-obra importam, mão-de-obra dos mais diferentes países que desembarcam no Porto de Santos e são encaminhados às fazendas do interior paulista. Muitos não se adaptaram à vida do campo e procuraram a área urbana para se estabelecer.
A capital da Província se torna palco de um intenso comércio de produtos industrializados que aportavam principalmente no Porto de Santos e chegam até o Triângulo Paulista para satisfazer os gostos dos novos ricos. A cultura cafeeira da Província de São Paulo, em meados do século XIX, dará a seus proprietários poder econômico que será à base de penetração destes abastados ao convívio urbano central da capital da Província.
Devido a implantação das estradas de ferro que encurtaram as distâncias entre a região rural e urbana estes fazendeiros construíram suas mansões na área urbana e puderam administrar suas propriedades e desfrutar do conforto de uma vida social (reuniões, saraus, etc). Somado aos que já aqui viviam, resultou num inchaço populacional. Os recursos acumulados desta parcela da população serão empregados na região em serviços públicos, com parceria de empresários estrangeiros.
A sede da burguesia brasileira por equiparar-se à sociedade vista como modelo de civilização (Paris em especial), fez com que circulassem produtos industrializados dos mais variados e vindos de diferentes países. E é a região central que se transformara para esta nova lógica de organização comercial. Os armazéns existentes, onde as mercadorias são estocadas sem critérios e estilo, não têm mais tantos apreciadores.
Aos poucos, aquele velho panorama de armazéns de secos e molhados, lojas de panos de algodão e hospedarias rústicas, vão dando lugar a um comércio de artigos de luxo. A lógica é organizar, mostrar, expor. O público precisa ser seduzido pelas vitrines e aos poucos as ruas vão assumindo outra forma: não são mais os animais que trafegam pelas ruas do centro, embora a infra-estrutura dos meios de transporte seja pouca para dispensar-los totalmente, mas os códigos de éticas e posturas os colocam em seus devidos lugares. A burguesia que elegeu as ruas centrais como espaço designados para o seu desfrute vive a ilusão de ser europeu num país tropical. Mesmo considerando o clima ameno daqueles tempos em relação à atualidade, havia condutas como as roupas pesadas da moda francesa que não condizia com o clima paulistano.
Desde a década de 1850, quando se inicia a penetração da cultura cafeeira pelo interior da Província de São Paulo, a Capital paulista passa a registrar um crescimento econômico e populacional até então nunca observado. É a partir desse poder econômico que as famílias abastadas constroem suas mansões e passam a freqüentar ambientes novos criados à moda parisiense e a consumir produtos industrializados em grande quantidade vindos principalmente da Inglaterra. Para numa tentativa de se aproximar da “civilidade” e da modernidade dos padrões e valores culturais europeus.
Esta posição que São Paulo se encontra de uma espécie de entreposto comercial faz a articulação entre o interior, o litoral e os mercados europeus.
Outro fator que coloca em destaque a capital da Província é a grande quantidade de imigrantes que suplantavam a carência da mão-de-obra nas lavouras e circulam pelas suas ruas graças ao incentivo a imigração.
Parte desses imigrantes se instalou na área central e abriram comércios que importavam produtos para atender os mais variados gostos. Com esta grande quantidade de nacionalidades, associadas à circulação de produtos diversos, novos idiomas sendo falados juntamente com o local, a cidade ganha à alcunha de cidade cosmopolita. O próprio nome dos comércios que geralmente carregavam o sobrenome estrangeiro do proprietário ou ainda nomes com sua descendência davam um aspecto de estar em outra localidade, nomes como a Casa Garraux (livraria, papelaria e loja de artigos variados de origem francesa), a Casa Levy (de partituras e instrumentos musicais), Casa Alemã, loja do Japão, Casa Michel, importadoras como Grand Bazar Parisien, etc.
As atividades comerciais serão em grande número exercidas por uma parcela desses estrangeiros. Saindo um pouco desse triângulo as lojas que atendiam a um público menos favorecido ou comercializavam produtos nacionais em geral usavam nomes locais como é o caso das Casas Pernambucanas fundada pelo suíço Arthur Lundgren em 1908 que continua existindo atualmente.
Estes europeus tinham um fator importante a seu favor: com a ideologia de prestigio de sua cultura o caminho já estava aberto para o consumo dos mais variados produtos.
O fato de os caminhos ferroviários de penetração no interior da Província convergirem todos para o porto de Santos, com passagem obrigatória pela cidade de São Paulo, a manteria na posição que a muito tempo lhe pertencera, de uma espécie de entreposto comercial, anterior representado pelo comércio de tropeiros que não desapareceu brutamente.
Juntamente com o crescimento urbano e a reurbanização, veio a especulação imobiliária que afastou de vez os “não desejados” do núcleo central. Os cidadãos desejavam ser europeus e isso foi tão fortemente arraigado no imaginário, que a ascendência européia é ressaltada até os dias atuais, enquanto a nativa é deixada em segundo plano.
Inspirados nas capitais européias como Paris, os prefeitos Antonio Prado (1899 a 1911) e Raymundo Duprat ( 1911a1914) promoveram mudanças significativas no meio urbano paulista, remodelando ruas e criando espaços livres. Plano urbanístico reconhecido como sendo de alto custo social apontado pela historiadora Heloisa Barbuy em A Cidade -Exposição Comércio e cosmopolitismo em São Paulo, 1860-1914.
A cidade se desfazia do casario colonial e das ruas estreitas, substituídas por praças, parques, avenidas largas e edifícios públicos suntuosos. As habitações de taipa se transformaram, tanto no aspecto físico, como na sua ocupação. Em pouco tempo as residências que antes abrigavam no seu pavimento inferior, armazéns próximos da arquitetura portuguesa, começam a ganhar características haussmanianas, pois tal prática não mais corresponde aos anseios de uma sociedade burguesa com olhos para cultura parisiense, resultado nos sucessivos loteamentos das inúmeras chácaras que circundavam a região central, ampliando o núcleo original e estabelecendo na cidade novas maneiras de morar.
Aos poucos vai se observando a crescente introdução de uma estética cosmopolita, tanto na arquitetura dos comércios como no comportamento das pessoas resultado de políticas como e a criação dos códigos de postura. Em São Paulo, circulam não só mercadorias estrangeiras, mas também modelos urbanísticos e valores sociais calcados no sistema de expansão industrial e capitalista europeu.
A dinâmica de transformações arquitetônicas e comerciais ocorridas no final do século XIX e primeira década do XX foram muito intensas, parecidas com a que hoje encontramos nestas ruas e edifícios no que se refere a exibição de produtos, no arranjo das vitrines (externas e internas), nas exposições especiais do interior das lojas e na publicidade comercial. Claro que hoje o apelo comercial é muito maior. Deve ser ressaltado o quanto era intenso o movimento nas ruas do centro, hoje chamado de antigo. O espaço em questão passa por uma nova transição já que as atividades comerciais já buscaram outras localizações mais favoráveis ao seu crescimento.
Os planos de reurbanização com características haussmannianas destruiu quarteirões inteiros para construir largas avenidas e praças com a justificativa de higienização e intenção de ver-se inserida na lógica capitalista.
Toda essa transformação de hábitos e crescimento econômico da região está atrelado a dois fatores principais o advento do café e a presença dos imigrantes. Porém não se deve deixar de lado uma reflexão a respeito da massiva presença estrangeira em todo o Brasil no período observado. Este grande número de estrangeiros está relacionado à situação dos países dominantes em face de seu excesso de mão-de-obra. Não fosse a necessidade de “acomodar” seu excedente obreiro não haveria empenho desses de retirar seus nacionais.
Muitos comércios desse período continuam existindo, alguns ampliaram seu leque de produtos outros mudaram de endereço, mas na maioria dos casos mantiveram os nomes e ressaltam a data de fundação como forma de seduzir seus clientes estabelecendo um elo entre credibilidade e nostalgia.
Bons exemplos destas permanências são:
A chapelaria Paulista na Quintino Bocaiúva, por exemplo, mantêm a mobília e as vitrines do inicio de sua fundação e na entrada da loja um tapete com a data de fundação da mesma. A padaria Santa Tereza atualmente na Praça João Mendes mantêm uma galeria de fotos de São Paulo Antigo no interior do recinto e algum mobiliário da época como uma chapelaria.
Maria Elza Araújo
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